• Ju Ferreira

As lições da pandemia



Vai passar! Essa é a primeira coisa que temos que lembrar nesses dias de crise.


Eu sei que essa pandemia traz insegurança, traz medo. Ela nos mostra como somos frágeis, vulneráveis e como um vírus microscópico põe a nossa vida em risco. E quando a nossa mente não está bem, isso reflete no corpo físico.


Mas, sem minimizar nenhuma dor nem angústia, quero dizer pra você que não vale a pena ceder à tentação de ficar na mentalidade de caos, na desorganização da ansiedade, no modo de “fuga ou luta” em que nosso cérebro entra quando estamos em perigo! Por que? Primeiro, porque não podemos fazer nada quanto à epidemia, às políticas de isolamento social, à crise econômica. Depois, porque isso simplesmente nos faz mal. E ainda, porque a crise pode nos trazer oportunidades. Tudo depende da maneira como encaramos a situação e agimos para atingir os melhores resultados.

Já está claro que quando tudo isso acabar, nada será como antes, teremos uma vida nova. E isso pode ser uma coisa muito boa! Se aproveitarmos esses dias para refletir sobre a nossa vida, nosso futuro e nossas relações, olhar pra dentro e fazer planos para o que vai acontecer na sequência. Você está fazendo isso? Eu estou.


Querem saber o que eu aprendi com essa crise toda? Selecionei alguns dos grandes aprendizados que eu tirei dessa quarentena para compartilhar com você:


1) Satisfação com as pequenas coisas:


Eu particularmente sempre apreciei muito as coisas da vida:

- os encontros: nunca fui de recusar uma boa festinha, um bom café com algum amigo, uma boa conversa.... mesmo que isso algumas vezes significasse dormir tarde tendo que acordar cedo no dia seguinte, ou deixar de fazer alguma coisa “mais importante” profissionalmente. Sempre pensei: se fazemos tantos sacrifícios pela nossa vida profissional, porque não podemos fazer alguns pela vida pessoal? Então sempre dediquei tempo pra as pessoas importantes: ligo mesmo, mando mensagem, visito...

- a natureza: sou de Santos, adoro praia, mar... Com o sol, tenho uma relação de amor que não consigo explicar. Sou o tipo de pessoa que para o que está fazendo para ver o pôr do sol, pre-ci-so tomar sol na cara pra conseguir viver! Quando vim pra São Paulo, descobri no parque do Ibirapuera o meu lugar. Gosto de ver árvores, de sentir os cheiros, ver as cores... Comecei a correr só pra correr no parque.

- os prazeres de comer fora, sair pra tomar uma cervejinha ou um bom vinho, pra dar risadas, pra passear... Gosto da vida, gosto de viver, gosto da intensidade...


Só que agora, no mesmo meio dessa epidemia, não podendo fazer nada disso, eu descobri que podia ter feito mais.... Que houve momentos em que me deixei levar pelos estresses, que permiti que o trânsito e a falta de tempo me vencessem e me ausentei de algum momento crucial da minha própria vida.


Então tudo isso voltar a ser possível quero me entregar mais, me doar de corpo e alma – pra a vida, pro mundo, pra as pessoas que eu amo. Quero dar ainda mais importância aos detalhes, àqueles momentinhos mágicos que fazem a gente ser feliz.


Aprendi que as “pequenas” coisas são, na verdade, enormes. E que apreciar cada uma dessas coisas é o que dá sentido à vida.


2) Não somos uma ilha!


Todos precisamos e dependemos um do outro. Nesse momento em que estamos em casa, há pessoas na linha de frente, salvando vidas, garantindo que a comida chegue à nossa mesa, provendo segurança e ordem... Nessa época de crise, redes de solidariedade se formam para apoiar pessoas mais necessitadas, para proteger idosos do contágio, para garantir que os pequenos negócios continuem em pé. As pessoas estão interagindo muito mais com suas famílias, tendo que conviver 24 horas por dia e estão tendo que entender como ceder e como viver em harmonia.


Isso trouxe mais empatia, mais respeito, mais cooperação. Apesar de distantes estamos sentindo a dor do outro, estamos conectados o tempo todo!


Da minha parte, acho que isso aumentou (ainda mais!) a minha amorosidade, o meu cuidado e preocupação com o bem-estar das pessoas que eu quero bem. Não vejo a hora de poder abracá-los, claro, mas hoje em dia tenho todos os dias encontros virtuais, ligações, e muita conversa com as minhas pessoas!


E você? Está aproveitando esse momento para falar e se conectar com aqueles que você ama?


3) Mudança de valores, hábitos e comportamentos


4) Mais responsabilidade individual com o coletivo e consumo consciente


5) Capacidade de enfrentamento das crises

9 visualizações